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são paulo – pt 1
Publicado julho 24, 2007 r delícias diárias , tem jeito? , Uncategorized 5 Comentáriosaí que eu fui em busca de novos ares e pessoas na locomotiva do Brasil capital com sotaque mais irritante do país. decidi passar 6 horas dentro de um ônibus porque estou em pânico por causa do caos aéreo. é mentira, claro, o preço das passagens de avião estava altíssimo e eu que sou pobre tive que ir de busão mesmo. como não dispenso um mínimo de glamour, fui de classe executiva. a morraquisse se manifestou antes mesmo do ônibus chegar na novo rio, com tanto espaço lá fora e eu fui me acomodar na salinha vip pros clientes executivos, usar o banheiro limpo e cheiroso e beber café de graça. dá licença, hein. depois uma moça anunciou no microfone que os passageiros da 1001 com destino à São Paulo se apressassem que a carroça ia sair. tive dificuldades pra sair da salinha com a mala, já que todas as malas da malalândia estavam na minha frente. saí aos trancos e barrancos, deixando alguns olhares tortos pra trás, mas tudo bem, tô indo pra São Paulo, que coisa linda. já me imaginava andando pela Av. Paulista, cabelos esvoaçantes, carros passando, pessoas arrumadas e bonitas. nessa hora esqueci do tempo de viagem, já que pra uma pessoa como eu viajar mais de 2 horas é um suplício, mas assumo que a classe executiva amenizou os estragos (vou falar da classe executiva até morrer).
antes de entrar no ônibus fui recebida por um rapaz muito simpático, que pegou minha mala, me emprestou uma caneta e deu o jornal, lanchinho e suco. fui em direção à minha poltrona imaginando quem sentaria do meu lado, se seria homem ou mulher, se teria problemas com apnéia, se puxaria assunto ou passaria as 6 horas ouvindo música ou lendo alguma coisa. só que eu não contava com a melhor das possibilidades: a poltrona do lado não foi vendida, então pude ir super largada nos dois bancos. como sou assim, ousada, não tomei dramin pra capotar, resolvi encarar limpa essa viagem, levei mp3 – que tinha acabado a pilha e eu não levei uma reserva, hahaha – e livro. o motorista avisou que faríamos uma parada de 20 minutos em Resende e deu partida. o ônibus era super confortável (já falei que era classe executiva?), dava pra deitar a poltrona, esticar as pernas, tinha cobertor e deveria ter travesseiro, que a mulher lá disse que esqueceram de colocar. me senti lesada, mas como sou fina, não disse nada. a viagem até Resende passou rápido, fui lendo a Folha de São Paulo e comendo o lanchinho. nas poltronas do lado estavam duas mães com seus filhos, um filho era peste e a mãe legal, e o outro era fofo e a mãe prepotente. tanto que essa mãe prepotente tava colocando o jornal dela no meu banco e sem pedir. não no meu, onde eu estava sentada, mas no banco do lado, que por direito, era meu. tudo bem que não paguei por ele, mas não tenho culpa se não compraram e se ela quis sentar do lado do filho e não ficou com dois.
após ser assaltada no Graal de Resende, pagando R$10 por menos de 200g de comida, fui procurar uma farmácia pra comprar dramin ou um lugar pra comprar pilhas e, opa, outra tentativa de assalto. voltei pro ônibus de mãos abanando e desejando dormir mais do que nunca. recomeçamos a viagem e em um certo momento, peguei no sono, não sei como. devo ter dormindo umas 2 horas e acordei porque comecei a ouvir uma voz de criança fazendo “aaaaaaaaaa”. sabe aquele ‘aaaa’ mantendo o tom? e sem parar? que você fica admirada porque a peste não cansa, nem engasga, nem morre de falta de ar? então, assim. aí ouvi uns três “shiiiii”, que acho que eram pessoas aleatórias tentando dormir e a criança eterna no seu “aaaaaa”. o impressionante é que não sei de onde surgiu aquele projeto de gente ou se ele estava devidamente dopado até Resende. aí no almoço deram açúcar pra ele e foi o que foi.
bom, não consegui dormir mais e às 5 da tarde chegamos em Guarulhos e eu já em pé. senti que tava chegando porque pegamos um leve engarrafamento característico e as pessoas (que deviam conhecer o lugar) estavam se ajeitando. daí foi mais uma hora pra chegar na rodoviária Tietê, onde eu pegaria um metrô até meu lar do final de semana. na hora de pegar as malas, mais enrolação, aquela mãe prepotente, cheia de pressa, estava praticamente dentro no bagageiro, enquanto todos os passageiros normais aguardavam a retirada das malas civilizadamente. consegui resgatar a minha e ainda fiquei presa por uma senhora que não se movia, apesar de meus apelos de “com licença”. finalmente cheguei em São Paulo e vi o que é o caos às 6 da tarde na cidade.
desde pequena meu pai sempre disse que posso ser o que eu quiser. não creio que ele contasse que a filha quer ser travesti.