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Once I wanted to be the greatest

 

Chan subiu no palco pouco mais das duas da manhã, depois do show do Antony and The Johnsons. E, das três atrações até aquele momento, foi a que menos demorou pra começar o show, mostrando identificação com nossa ansiedade. Aquela menina tímida, que teve problemas com drogas e álcool, aumentando a introspecção durante os shows (recebeu críticas negativas a respeito de sua última visita ao Brasil pra divulgar o cd Covers Record), que quase desistiu da música e só não fez por causa de um sonho (nas palavras dela: “I had a horrible dream that a voice was telling me my past would be forgotten if I would just meet him — whoever he was — in the field. And I woke up screaming, ‘No! I won’t meet you!’ And I knew who it was: the sneaky old serpent. My nightmare was surrounding my house like a tornado. So I just ran and got my guitar because I was trying to distract myself. I had to turn on the lights and sing to God. I got a tape recorder and recorded the next 60 minutes. And I played these long changes, into six different songs. That’s where I got the record“), estava ali, finalmente, na nossa frente.

A banda Dirty Delta Blues, que a acompanhava, deu um show a parte, principalmente o baterista. Naquele palco não teve quem se sobressaisse, todos cumpriram perfeitamente seus papéis, entrosados e impecáveis. Chan estava linda, dançou por todo o palco, arranhou um português com a platéia, reverenciou, mandou beijos, sorrisos e obrigadas. O set list foi composto basicamente pelo Covers Record e pelo último cd, The Greatest. As músicas ganharam novos arranjos, animados, dançantes, rápidos. E Cat Power poderia cantar qualquer coisa, não importa, tudo fica emocionante naquela voz rouca e embriagante.

Durante todo o show ela afastou o microfone da boca pra tossir, perdendo alguns trechos das músicas, que prontamente eram cantadas pelo público e recebidas por ela com um sorriso imenso e um obrigada. O ponto alto da noite foi o anúncio de Metal Heart: “this is a old song, when I was a young girl. So now, I’m a tigresa“. E novamente, antes de começar, tossiu e o público cantou. Ela sorriu, agradeceu e continuou vendo todo mundo cantar, até que completou com “please, don’t make me cry“, dando início a uma apresentação de partir o coração.

Ninguém quis acreditar quando ela disse que precisava sair porque Cibelle tinha que se apresentar, então começamos a bater palmas e ovacionar. No fundo, acho que nem ela acreditou quando percebeu que tinha acabado, e ficou ali, sorrindo e mandando beijos, fazendo sinal pro coração, super emocionada, enquanto desmontavam os instrumentos. Dirty Delta Blues já tinha saído e Chan se foi, a passos curtos e sem nos dar as costas, em direção ao backstage, parando mais uma vez antes de entrar.